O livro surpreende pela originalidade de seus recortes. O leitor descobrirá uma fascinante “crioulização” em dois contos de fadas de Acrísio Motta, que adapta o imaginário europeu à realidade cabocla, e nos apologistas de Raimundo Morais, onde a fauna e a flora amazônicas assumem diálogos filosóficos. A inovação segue a análise da autoficção sensorial de Leandro Tocantins — uma espécie de “Proust amazônico” — e inclui dois fanzines de Flávio de Britto, que capturam o imaginário mítico de Mayandeua em formatos alternativos. Por fim, esta obra é pioneira ao abordar as narrativas indígenas Tembé a partir da ética, da ecocrítica e da interculturalidade, tratando a “literatura de voz” como resistência e pedagogia. É um deleite indispensável redescobrir a Amazônia através de sua poética mais autêntica e, ainda, pouco explorada.